Menina negra chorando

Pumbeiras e Capitãs do Mato: o lado perverso das líderes negras contemporâneas

Não, este não é um tema fácil de ser tratado. Discorrer acerca de mulheres negras que alcançam posição de liderança no mercado de trabalho brasileiro é de fato um tema muitíssimo difícil. Por inúmeras razões:

1. No Brasil ainda são raras as mulheres negras que ocupam cargos de comando. Isto dá-se não apenas em função da dificuldade ao acesso de uma educação de qualidade, mas também pelo preconceito racial (velado ou não) que ainda persiste na cultura brasileira. Segundo a Fundação Palmares, o rendimento dos homens brancos é de aproximadamente 200% superior ao rendimento das mulheres negras (1). Evidentemente que o fator renda está intrinsecamente associado ao grau de hierarquia na cadeia de comando das organizações contemporâneas.

2. Segundo os dados apresentados pelo Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (apud AMNB 2012), as mulheres negras estão entre os contingentes de maior pobreza e indigência do país, são trabalhadoras informais sem acesso à previdência, residentes em ambientes insalubres e responsáveis pelo cuidado e sustento do grupo familiar.

Indubitavelmente poderiam ser acrescidos inúmeros outros fatores que impedem a ascensão da mulher negra no mercado de trabalho. Porém, há uma pergunta que merece ser respondida: Quando finalmente as mulheres negras conseguem chegar até um cargo de  gerência ou direção em uma organização pública ou privada,  ocorre por parte delas o fomento ao empoderamento de novas lideranças negras femininas na mesma instituição?

Este é um assunto que merece ser discutido e estudado: os impactos da liderança de mulheres negras na cultura organizacional das instituições contemporâneas. Particularmente não encontrei nenhum estudo acadêmico que tratasse de tal temática, com metodologia de pesquisa confiável e apurada. Contudo, o que percebo é que algumas (e não irei incorrer no erro da generalização) mulheres negras em cargos de comando sentem-se ameaçadas por outras mulheres negras presentes em sua cadeia de comando, e que possuem perfil de liderança e uma boa qualificação acadêmica. 

Percebe-se que, lamentavelmente, algumas mulheres negras em posição de chefia transformam-se em verdadeiras “capitãs do mato”, tolhendo (ou apropriando-se ilegitimamente) do capital intelectual de outras mulheres negras em posição hierárquica inferior. Seja pelo sentimento de rivalidade, ameaça ou insegurança, são realmente muito raras as líderes  negras que incentivam a formação de novas gerações de lideranças com o mesmo perfil, habilidades e conhecimentos.

Pode-se comparar, inclusive, a postura de  algumas mulheres negras em posição de comando às ações dos pumbeiros do período colonial.

Os pumbeiros caracterizam-se por serem agentes ativos do tráfico de escravos para o Brasil e trabalhavam para os grandes chefes, sobas ou militares portugueses. Durante um ou dois anos, internavam-se no interior de África, trocavam os escravos por tecidos, vinho e objetos de quinquilharias, voltando com uma centena de negros, homens e mulheres acorrentadas. Este tráfico tinha o nome de “Guerra Preta” porque arrancavam sempre por meios violentos os negros das aldeias.

Atualmente, algumas mulheres negras em cargo de chefia também são capazes de cometer assédio moral contra outras mulheres negras, prejudicar suas subalternas com a mesma avidez de uma pumbeira moderna.

Infelizmente nem todas as líderes negras possuem o espírito da Rainha Njinga de Angola, a qual era capaz de idealizar e lutar por uma unidade do povo negro. Muitas executivas, políticas, acadêmicas entre tantas outas líderes negras fomentam as disputas internas pelo poder, com ideologias marcadas pelo rancor pelo seu próprio grupo étnico, seguindo na contramão da ética, do respeito e da dignidade da luta pelos direitos das mulheres negras.

Para quem quiser mais informações sobre o estilo de liderança da Rainha Njinga de Angola, segue sugestão de reportagem abaixo

Referências Bibliográficas.

(1) FUNDAÇÃO CULTURAL PALMARES. População negra ainda sofre com a desigualdade no mercado de trabalho. Disponível em: <http://www.palmares.gov.br/2012/04/populacao-negra-ainda-sofre-com-a-desigualdade-no-mercado-de-trabalho/> Acesso em 13 out 2013.

(2) ARTICULAÇÃO DE ONGS DE MULHERES NEGRAS BRASILEIRAS. Comitê para a Eliminação da Discriminação contra a Mulher. Disponível em: <http://www.globalrights.org/site/DocServer/RELATORIO_CEDAW_FINAL_-_Portugues.pdf/749676568?docID=13324&verID=1 >. Acesso em 13 out 2013.

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